“Toda vez que toca o telefone eu penso que é você, toda noite de insônia eu penso em te escrever. Pra dizer que o teu silêncio me agride, e não me agrada ser um calendário do ano passado. Pra dizer que teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança depois que a música parou.”
—Engenheiros do Hawaii”
” Me beija. Me beija pela última vez. Pra eu poder levar o teu gosto comigo. Pra ter o que recordar. Sei que tudo acabou, mas eu queria te beijar mais uma vez. Preciso te sentir mais um instante. Te tocar. Te amar. Pra deixar aquela saudade. Pra te deixar com vontade. Vontade de deixar meu gosto contigo. Pra teres o que recordar. Me beija, vai. Beija de verdade. Beija pra valer. Beijo eterno. Beijo selvagem. Beijo suave. Beijo saudoso. Beijo malicioso. Beijo escandaloso. Me beija pela última vez. Mas me beija e sai correndo. Vai embora logo. Vai, antes que o passado passe diante dos nossos olhos, como um filme antigo. Vai, antes que as recordações sejam fortes e tragam à tona os nossos velhos sentimentos. Vai, antes que a gente faça besteira. Vai, antes que a gente perceba que estar longe é brincadeira. Vai, antes que eu me desespere. E te diga o que não devo. Vai, sai correndo. Mas antes me beija. Me beija como a gente nunca se beijou antes. O beijo do tchau. O beijo do adeus. Beija logo…antes que vire o beijo do recomeço, do volta pra mim, do ainda te quero. Beija, vou deixar a porta aberta. Beija e, antes que eu abra os olhos, sai por ali. E fecha a porta.” Clarissa Corrêa
Vivendo por viver
Sem motivo vou vivendo por aí
Por viver
Meus valores tão confusos reprimidos
Por você
Troco passos sem sentidos pelas ruas
Sem saber aonde ir
E viver já nada mais significa
Até já me esqueci
Volto para casa onde eu procuro
Me esconder
De pessoas que acreditam meus problemas
Resolver
Mas eu insisto em cultivar sua presença
Mesmo sem você saber
Ainda espero a cada dia sua volta
É só você querer
Às lembranças
Me chegam sempre em noites tão vazias
E mexem tanto com minha cabeça
E quando o sono vem o dia já nasceu
A distância
Me tira pouco a pouco a esperança
De ter você comigo novamente
De reviver aquele nosso grande amor
Tantos planos, sonhos feitos em pedaços
Por você
De tolice tanto amor desperdiçado
Por nós dois
E na solidão me agarro a qualquer coisa
Que ainda resta desse amor
Pra sentir sua presença novamente
Seja como for
À lembranças…
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Nossas páginas em branco
Um vento fresco entrou pela janela. Ao invés de encostar o vidro coloquei o rosto para fora. Nesses momentos sinto a vida, pensei. Não que nos outros dias não sinta. Mas chuva e vento no rosto são duas coisas que me fazem bem.
Tentei lembrar do antes. Daquela época em que eu achava que a vida podia ser intensa, bela, inteira. Hoje olho para dentro do peito e me pergunto: como ser inteira sem você? Meus pedaços foram arrancados, o que corre nas minhas veias é saudade.
A saudade que eu sinto nem é de você. É do meu sorriso. É de como eu era feliz. E radiante. E cheia de esperança. Eu tinha aquela crença bonita de que tudo no fim dá certo. Sempre. E hoje eu sei que nem tudo anda nos trilhos. Vezenquando a realidade bate forte na porta e me mostra que as coisas muitas vezes dão errado. Mas, olha que curioso, elas dão errado para que a gente aprenda que nem tudo é linear. Não é carma, cruz ou o mundo pesando nas nossas costas frágeis. Vou te contar uma verdade: nada disso cabe em cima de mim ou de você. O fato é que nem sempre sabemos lidar com a frustração. Somos humanos, imperfeitos, hedonistas.
Querer e não poder dói. Sonhar e não realizar dói. Planejar e não acontecer dói. Tudo isso fere, corta, sangra. E não dá pra gente se debater e sair chorando feito criança pequena, pois grandes já somos. É preciso encarar, secar a lágrima no canto do rosto, seguir em frente. Gente grande segue em frente. E isso também dói. Dói saber que você é uma página virada. Ou arrancada. Dói saber que tudo, tudo mesmo virou nada. Mas o bom da vida é justamente saber que uma nova página sempre nos espera. Ainda bem.
Clarissa Corrêa
O homem do futuro - O melhor filme brasileiro da atualidade
“Minha tristeza, na verdade, era falta de você. Era saudade. Era apego implorando pra não virar desapego. Era amor pedindo pra não ter fim, era amizade pedindo pra nascer de novo, era uma história implorando um recomeço.”
Bernadete Guedes.